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16 de outubro de 2009
29 de setembro de 2009
To think.
"Nem tudo que se enfrenta pode ser modificado, mas nada pode ser modificado até que seja enfrentado." (James Baldwin)
Essa frase está escrita com a letra da minha mãe na primeira página do Manifesto Comunista. Ela me deu esses dias.
Segundo a própria, estou na fase de ler coisas desse tipo. "Depois o tempo passa e já não tem mais graça", disse-me assim mesmo com rima.
Li e não gostei. Críticas demais e poucas soluções. Ideias inovadoras - para a época.
Não sei se isso soa estranho, mas a minha geração é muito informada e não-ideológica. Estamos cada vez mais imersos em todas as coisas que acontecem tão rápido, tão frenéticamente milésimas, que as vezes esquecemos do simples fato de parar, sentar e pensar.
Pelo menos é o que eu acho de mim mesma, uma vivente da geração Y. E essa é uma das razões pra eu ter abandonado esse meu cantinho há quase um mês.
Desculpa!
Essa frase está escrita com a letra da minha mãe na primeira página do Manifesto Comunista. Ela me deu esses dias.
Segundo a própria, estou na fase de ler coisas desse tipo. "Depois o tempo passa e já não tem mais graça", disse-me assim mesmo com rima.
Li e não gostei. Críticas demais e poucas soluções. Ideias inovadoras - para a época.
Não sei se isso soa estranho, mas a minha geração é muito informada e não-ideológica. Estamos cada vez mais imersos em todas as coisas que acontecem tão rápido, tão frenéticamente milésimas, que as vezes esquecemos do simples fato de parar, sentar e pensar.
Pelo menos é o que eu acho de mim mesma, uma vivente da geração Y. E essa é uma das razões pra eu ter abandonado esse meu cantinho há quase um mês.
Desculpa!
9 de setembro de 2009
OBSERVAÇÃO
São 10h:02min. “Aqui é só para clientes Van Gogh, mas como tem pouca gente hoje vou deixar”, disse a moça, com ar de criança que comete uma travessura. Após receber uma resposta mal educada do cliente, responde: “Coloca teu nome na lista e aguarda”. Abaixou a cabeça e tornou a fazer seu trabalho entre folhas e computadores.
Um perfil responde muito sobre a pessoa. Observá-la de perfil, define ainda mais. Com as pontas dos cabelos brancos amarelados, como a sobra do leite materno nos lábios do bebê, cultiva a raiz marrom. Apresenta-se sentada realizando um trabalho manual, mas sua função naquele estabelecimento se mostra confusa. Talvez o cargo seja secretária, ou quem sabe ali a chamem de atendente. As contradições aparecem desde as cores das suas madeixas.
Usa uma pequena presilha que puxa sua franja para trás. Outrora devia lhe parecer desordenada. Chove lá fora. Mulheres são duras consigo mesmas em dias assim. Os temperamentos atípicos começam pela cor das roupas, passam pela cor da pele e terminam no estado de espírito. Essa moça parece não ter opção. Usa terno pré-confeccionado para sua função ainda não definida, com bordados discretos que caracterizam o nome do banco. Sua pele, entretanto, que parece ser branca (quase um suco de maçã de soja) hoje é da cor da nuvem de água: cinza. E o humor se mostra num estado bipolar.
Localizada no meio da grande sala, que se divide apenas por mesas de escritório, ela está no lugar mais alto. Um palanque sustenta seu balcão arredondado. Uma redoma sem vidros, apenas delimitada, quase uma rosa apática esperando pelo seu Pequeno Príncipe. Enquanto ele não chega, é claro, ela trabalha. Movimentos bruscos de cortar, grampear, digitar e atender. Quase uma música, que o cotidiano faz com que passe despercebida. Ela parece cantarolar para si mesma, sem perder a compostura.
Tem ares de magra – se o ângulo for seus braços. Talvez cultive uma barriguinha discreta. As pontas das orelhas vermelhas alarmam um calor tímido, que logo se escancara com o contraste das unhas da mesma cor. Aí pode estar seu segredo: fogo. Esconde-se atrás da postura de organização. Porém, à noite, deve despertar um lado agressivo. Animado e impulsivo. Troca o delicado brinco de pérolas que usa durante o dia, pela argola provocante da escuridão. Parece ser a hora certa de esquecer-se da boa moça.
A chefe passa. Tenta descontrair, mostra os dentes e diz “Oi!”. Os ombros ainda estão rígidos formando uma linha reta. Já os olhos denunciam um rímel colocado às pressas, que pintam a curvatura meia-lua. Ela é bem treinada. Mecânica e eficiente. Atende ao telefone e demonstra expressões faciais: os redondos da bochecha levantam e esmagam o nariz. Dizem que as pessoas sinceras reagem mesmo sem ver quem está do outro lado da linha. Pode ser honesta.
Ao encará-la de frente, os olhos se mostram penetrantes. São separados por um nariz comum: bolinha de gude na ponta, curvatura diagonal. Já o olhar, cor de mel que fita o mar verde, pede uma observação melhor. Eles falam. Retratam uma moça incomum que guarda seus desejos. Ela pisca devagar e abre um meio sorriso. Para ela, aquilo já basta. São 10h:14min.
Um perfil responde muito sobre a pessoa. Observá-la de perfil, define ainda mais. Com as pontas dos cabelos brancos amarelados, como a sobra do leite materno nos lábios do bebê, cultiva a raiz marrom. Apresenta-se sentada realizando um trabalho manual, mas sua função naquele estabelecimento se mostra confusa. Talvez o cargo seja secretária, ou quem sabe ali a chamem de atendente. As contradições aparecem desde as cores das suas madeixas.
Usa uma pequena presilha que puxa sua franja para trás. Outrora devia lhe parecer desordenada. Chove lá fora. Mulheres são duras consigo mesmas em dias assim. Os temperamentos atípicos começam pela cor das roupas, passam pela cor da pele e terminam no estado de espírito. Essa moça parece não ter opção. Usa terno pré-confeccionado para sua função ainda não definida, com bordados discretos que caracterizam o nome do banco. Sua pele, entretanto, que parece ser branca (quase um suco de maçã de soja) hoje é da cor da nuvem de água: cinza. E o humor se mostra num estado bipolar.
Localizada no meio da grande sala, que se divide apenas por mesas de escritório, ela está no lugar mais alto. Um palanque sustenta seu balcão arredondado. Uma redoma sem vidros, apenas delimitada, quase uma rosa apática esperando pelo seu Pequeno Príncipe. Enquanto ele não chega, é claro, ela trabalha. Movimentos bruscos de cortar, grampear, digitar e atender. Quase uma música, que o cotidiano faz com que passe despercebida. Ela parece cantarolar para si mesma, sem perder a compostura.
Tem ares de magra – se o ângulo for seus braços. Talvez cultive uma barriguinha discreta. As pontas das orelhas vermelhas alarmam um calor tímido, que logo se escancara com o contraste das unhas da mesma cor. Aí pode estar seu segredo: fogo. Esconde-se atrás da postura de organização. Porém, à noite, deve despertar um lado agressivo. Animado e impulsivo. Troca o delicado brinco de pérolas que usa durante o dia, pela argola provocante da escuridão. Parece ser a hora certa de esquecer-se da boa moça.
A chefe passa. Tenta descontrair, mostra os dentes e diz “Oi!”. Os ombros ainda estão rígidos formando uma linha reta. Já os olhos denunciam um rímel colocado às pressas, que pintam a curvatura meia-lua. Ela é bem treinada. Mecânica e eficiente. Atende ao telefone e demonstra expressões faciais: os redondos da bochecha levantam e esmagam o nariz. Dizem que as pessoas sinceras reagem mesmo sem ver quem está do outro lado da linha. Pode ser honesta.
Ao encará-la de frente, os olhos se mostram penetrantes. São separados por um nariz comum: bolinha de gude na ponta, curvatura diagonal. Já o olhar, cor de mel que fita o mar verde, pede uma observação melhor. Eles falam. Retratam uma moça incomum que guarda seus desejos. Ela pisca devagar e abre um meio sorriso. Para ela, aquilo já basta. São 10h:14min.
25 de agosto de 2009
Ventos sopram para o sete de setembro
A Lagoa dos Esteves, em Içara, Santa Catarina, acolherá no feriado da Independência o Campeonato SulBrasileiro de Snipe. O Iate Clube Veleiros da Lagoa é quem está organizando e promete colocar em suas águas mais de 40 barcos da classe.
O veterano Ivan Pimentel, 70 anos, participará do campeonato. Ele já venceu quatro brasileiros (em 78, 88,92 e 2002), dois Hemisférios, dois Mundiais, dois Sul-americanos e foi bronze no Pan-americano de Indianápolis. Além dele estará presente o construtor de barcos Lemão e o também campeão mundial Paulo Santos.
As regatas acontecerão na parte da tarde e o Clube está aberto para o público.
Um bom programinha para o feriado!
Blog da fotilha: www.flotilha727.org
22 de agosto de 2009
Imagens II
No post anterior minha amiga sugeriu que eu desse uma olhadinha nessas fotos da LIFE:
Elas fazem parte de um livro comemorativo aos 40 anos do Woodstock. Ainda não descobri se eles entregam no Brasil, mas vale a pena adquirir.
Elas fazem parte de um livro comemorativo aos 40 anos do Woodstock. Ainda não descobri se eles entregam no Brasil, mas vale a pena adquirir.
16 de agosto de 2009
Quarenta anos depois...
Tomei a liberdade de dar um ctrlC no blog do Bruno Medina.
Ontem o Woodstock fez 40 anos, e como presente de aniversário o Medina escreveu dez motivos contradizendo a realização do Festival atualmente. Utópicos como eu chegam a dar risada. A paz e o amor andam difíceis no século XXI.
"Posto isto, a seguir, um top 10 contendo razões pelas quais Woodstock seria impensável atualmente:
1. Um evento em que se padece por falta de banheiros, tendas de alimentação, atendimento médico, local apropriado para camping e por engarrafamentos quilométricos pode ter despertado compaixão em 1969; em 2009, suscitaria reclamações e processos judiciais.
2. Considerar que um festival de rock atrairia público estimado em meio milhão de pessoas sem recorrer à escalação de bandas de apelo radiofônico e artistas cujo carisma supera o talento é utopia maior do que acreditar na viabilidade da paz e do amor.
3. E o que dizer do Motel El Monaco, única hospedaria da região? Sem sala de ginástica, heliporto, wi-fi zone, telão de plasma, jacuzzi, cama king size… duvido que as estrelas de hoje topariam passar sequer uma noite lá.
4. Quatro jovens se conhecem, a partir de um anuncio de jornal, e resolvem tocar um projeto que se torna o maior encontro musical da história. Bonito, mas sem se associar a um grande patrocinador, daqueles que metem uma logo-marca gigante da empresa atrás do palco? Impossível.
5. Isso sem mencionar que reunir num mesmo festival um elenco a altura de Jimi Hendrix, Janis Joplin, The Who, Crosby Still, Nash & Young, Gratful Dead e Creedence Clearwather Revival seria, no mínimo, bastante improvável.
6. Complicado, também, seria encontrar hoje em dia uma plateia disposta a acreditar que um festival de música pode chegar a transformar o mundo para melhor.
7. Os hambúrgueres eram vendidos por U$ 1, o que nem na época representava muito dinheiro, e ainda teve gente que reclamou de exploração. Mal sabiam eles como isso iria piorar.
8. Apesar de ser idealizado como um evento comercial, quando a organização percebeu que o público atraído superava em muito a estrutura disponível ordenou que as cercas fossem postas abaixo. Todo mundo entrou de graça e tudo certo. Quem duvida que, fosse agora, centenas tomariam cacetada ou parariam no xilindró?
9. Aliás, em 2009, que corpo de bombeiros, defesa civil ou similar liberaria um evento para 500 mil pessoas muito loucas numa fazenda lamacenta no meio do nada? Apesar da necessidade de se declarar calamidade pública na região, uma catástrofe maior foi evitada e apenas 2 pessoas morreram. Isso sim é sorte.
10. Woodstock, tal como foi, não seria possível nem no ano seguinte, quiçá 40 anos depois. O trauma na cidade que abrigou o festival, Bethel, foi tamanho que logo após o encerramento os moradores aprovaram uma lei que impedia qualquer iniciativa semelhante no futuro. Paz e amor, nos olhos dos outros, é refresco!"
(por Bruno Medina)
Não consegui upar um vídeo legal, com algumas fotos legais da época. Então se tiver interesse clica nesse link.
Ontem o Woodstock fez 40 anos, e como presente de aniversário o Medina escreveu dez motivos contradizendo a realização do Festival atualmente. Utópicos como eu chegam a dar risada. A paz e o amor andam difíceis no século XXI.
"Posto isto, a seguir, um top 10 contendo razões pelas quais Woodstock seria impensável atualmente:
1. Um evento em que se padece por falta de banheiros, tendas de alimentação, atendimento médico, local apropriado para camping e por engarrafamentos quilométricos pode ter despertado compaixão em 1969; em 2009, suscitaria reclamações e processos judiciais.
2. Considerar que um festival de rock atrairia público estimado em meio milhão de pessoas sem recorrer à escalação de bandas de apelo radiofônico e artistas cujo carisma supera o talento é utopia maior do que acreditar na viabilidade da paz e do amor.
3. E o que dizer do Motel El Monaco, única hospedaria da região? Sem sala de ginástica, heliporto, wi-fi zone, telão de plasma, jacuzzi, cama king size… duvido que as estrelas de hoje topariam passar sequer uma noite lá.
4. Quatro jovens se conhecem, a partir de um anuncio de jornal, e resolvem tocar um projeto que se torna o maior encontro musical da história. Bonito, mas sem se associar a um grande patrocinador, daqueles que metem uma logo-marca gigante da empresa atrás do palco? Impossível.
5. Isso sem mencionar que reunir num mesmo festival um elenco a altura de Jimi Hendrix, Janis Joplin, The Who, Crosby Still, Nash & Young, Gratful Dead e Creedence Clearwather Revival seria, no mínimo, bastante improvável.
6. Complicado, também, seria encontrar hoje em dia uma plateia disposta a acreditar que um festival de música pode chegar a transformar o mundo para melhor.
7. Os hambúrgueres eram vendidos por U$ 1, o que nem na época representava muito dinheiro, e ainda teve gente que reclamou de exploração. Mal sabiam eles como isso iria piorar.
8. Apesar de ser idealizado como um evento comercial, quando a organização percebeu que o público atraído superava em muito a estrutura disponível ordenou que as cercas fossem postas abaixo. Todo mundo entrou de graça e tudo certo. Quem duvida que, fosse agora, centenas tomariam cacetada ou parariam no xilindró?
9. Aliás, em 2009, que corpo de bombeiros, defesa civil ou similar liberaria um evento para 500 mil pessoas muito loucas numa fazenda lamacenta no meio do nada? Apesar da necessidade de se declarar calamidade pública na região, uma catástrofe maior foi evitada e apenas 2 pessoas morreram. Isso sim é sorte.
10. Woodstock, tal como foi, não seria possível nem no ano seguinte, quiçá 40 anos depois. O trauma na cidade que abrigou o festival, Bethel, foi tamanho que logo após o encerramento os moradores aprovaram uma lei que impedia qualquer iniciativa semelhante no futuro. Paz e amor, nos olhos dos outros, é refresco!"
(por Bruno Medina)
Não consegui upar um vídeo legal, com algumas fotos legais da época. Então se tiver interesse clica nesse link.
Brüno: tão out

Decepcionada. Foi assim que me senti ao sair do cinema hoje. Sacha Baron Cohen errou desta vez, tentando fazer seu personagem austríaco fashionista gay virar ídolo como Borat. Apelando para cenas super expositivas, como o programa que Brüno apresenta seu pênis conversando com o público, o humor vai do cômico ao tenso. Rimos, porque existe constrangimento em ver cenas deste tipo. Chega a dar nojo.
Engraçado mesmo foi ver cerca de dez pessoas indo embora no meio da sessão. Cohen errou na dose de enfrentamento desta vez. Se como em Borat, ele desejava expor os americanos e suas arrogâncias superficiais, desta vez o próprio Cohen acabou se expondo ao ridículo. Em uma tentativa frustrada de ironizar o mundo hollywoodiano, saiu-se mal ao colocar a criança negra como objeto de marketing e a tentar pacificar os conflitos do oriente médio. Sem contar as tantas cenas "pornôs".
É claro que existem algumas partes engraçadas, como quando o personagem decide ir para o exército. Mas percebe-se que muitas das cenas são copiadas da forma de Borat. A parte final, em que Brüno encontra-se em um ringue de luta, lembra muito Borat no rodeio do Texas. Chato e repetitivo.
Se o objetivo de Cohen era instigar e mostrar todas as formas de preconceito mascaradas na sociedade americana, com suas técnicas de "encurralar" seus alvos, ele não conseguiu. Apenas se mostrou como o próprio errante. Exagerou na dose de humor. Tornou-se abusivo. Über out.
Engraçado mesmo foi ver cerca de dez pessoas indo embora no meio da sessão. Cohen errou na dose de enfrentamento desta vez. Se como em Borat, ele desejava expor os americanos e suas arrogâncias superficiais, desta vez o próprio Cohen acabou se expondo ao ridículo. Em uma tentativa frustrada de ironizar o mundo hollywoodiano, saiu-se mal ao colocar a criança negra como objeto de marketing e a tentar pacificar os conflitos do oriente médio. Sem contar as tantas cenas "pornôs".
É claro que existem algumas partes engraçadas, como quando o personagem decide ir para o exército. Mas percebe-se que muitas das cenas são copiadas da forma de Borat. A parte final, em que Brüno encontra-se em um ringue de luta, lembra muito Borat no rodeio do Texas. Chato e repetitivo.
Se o objetivo de Cohen era instigar e mostrar todas as formas de preconceito mascaradas na sociedade americana, com suas técnicas de "encurralar" seus alvos, ele não conseguiu. Apenas se mostrou como o próprio errante. Exagerou na dose de humor. Tornou-se abusivo. Über out.
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