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28 de agosto de 2011

A Calça (12/05/2008)

Ela carrega
Acompanha o caminhar,
leva as histórias
Está desbotada.
São marcas do uso da insistência.

Lembro daquela tarde que te tornaste minha
Tão minha,
meu,
foi um presente teu.
E agora são só costuras.

Não quero perder estas cores
O azul que combina com as blusas
Com o tênis,
com a pele,
com o cheiro
O azul que combina com a falta que faz.

E são todas as lembranças
daqueles únicos momentos
tão básica, tão nossos.
que chega a mascarar-se diante do cotidiano

Projeto a perfeição entre silhuetas e curvas
Insisto na forma e no corte
não vou perder tão fácil assim.

A distância, na verdade, une-me ao corpo
tu me acompanhas
estás presente em objeto.

Sem título - 27/06/2010 (3)

Não escolhi essa vida solitária
Eterna viajante de mim mesma
Meu país é indecifrável
Não se comunica
Comunista!
Autoritário e com altos impostos
Não quero miseráveis por aqui
Sou uma selva perdida
Solitária em árvores de pedra
Toma-me!
Não é preciso um Cavalo de Troia para uma invasão bem sucedida
Sou barata.
De casca mole.

Sem título - 27/06/2010 (2)


Encontrei-me sentada, bunda no chão, pés plantados e joelhos apontando o céu. No mínimo mostrando o caminho da constelação mais longe para fugir. Mas foi bem ali que me encontrei. Achei o mim mesma que há tanto procurava. Havia fugido com minha cachorrinha naquela Páscoa mal sucedida. Encontrei o Eu, aquela que me pertenço, em frangalhos. Falava até uma língua que não imaginava conseguir falar. Palavras impronunciáveis até então: Amor Próprio. Auto-estima. Compaixão comigo mesma. Existe isso? Os budistas que me desculpem, porém é necessário ser umbiguista. Ás vezes. Tanta gente pedindo o tempo todo, quando a resposta pode ser tu mesmo. Olhar-se para si - redundância recíproca - e limpar todo o pózinho que um simples buraco no meio da barriga pode criar. E, criar-se. Como criança e aquarela. A vida é uma só, não é o que dizem? Pinte-se, pois sim. Porque se auto-colorir é o melhor benefício a si mesmo. Rabisque sua bunda longe do assoalho frio e empine-a por aí. Caminhando e rebolando em um bom percurso sem malícias. Os pés podem flutuar desde que saibam o lugar que pertencem no momento. Assim a língua desconhecida vai desabrochar. A tradução é fácil: FELICIDADE.

Sem título - 27/06/2010

As caixas de sapato
Abriam-se
Fechavam-se
Incessantemente.

São pequeninos retângulos-ímãs
Vivem grudadas de retalhos
O problema é a linha e a agulha
A costura da máquina
Máquina do tempo
De repente embaralha tudo
Um patchwork mal feito de lembranças

O vermelho não combina com rosa
Ele foi feito do branco
Memórias em branco

Os retângulos da caixa de sapato
se abriam e se fechavam
Agora não existem mais.